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31/10/2016 - São Luís recebe a exposição itinerante "Tempo de Almanaque"

31/10/2016

São Luís recebe a exposição itinerante "Tempo de Almanaque"

 

Integrando a programação da 10ª Feira do Livro de São Luís (FeliS), a Galeria Trapiche Santo Ângelo recebe a exposição itinerante "Tempo de Almanaque", promovida pelo Departamento Nacional do Sesc. A abertura será com um café da manhã, nesta quinta-feira (3), às 9h30, na galeria. Na oportunidade, haverá uma roda de conversa e visita mediada.

A exposição "Tempo de Almanaque" fica aberta à visitação de 4 de novembro a 16 de dezembro, na Galeria Trapiche, das 9h às 18h, exceto fins de semana e feriados. Visitas mediadas podem ser agendadas pelo telefone 3216-3830 ou pelo e-mail galeriadeartesescma@gmail.com.

"A exposição faz parte da programação de aniversário de 70 anos do Sesc e dos 10 anos da Feira do Livro de São Luís. Os almanaques remontam parte importante da história das artes gráficas e da publicidade que estão no imaginário das famílias brasileiras, bem como a evolução da qualidade técnica e do comportamento social retratados nos almanaques", explicou Camila Grimaldi, diretora da Galeria Trapiche.

Em um recorte histórico, o Sesc apresenta ao público maranhense a estética, grafia e as informações de consumo, cultura, moda e comportamento que circularam o Brasil por meio dos Almanaques de Farmácia a partir do início do século XIX.

Patrocinados pelos laboratórios farmacêuticos, as publicações atuavam como veículos de publicidade de medicamentos e cumpriam com o atual papel dos propagandistas. E na exposição, o público poderá apreciar uma coletânea de raridades retiradas do acervo pessoal da escritora e pesquisadora Yasmin Nadaf – doutora em Literaturas de Língua Portuguesa e pós-doutoranda em Literatura Comparada.

A exposição é estruturada em painéis exibindo capas e páginas de almanaques, bem como reproduções na íntegra. Nos almanaques informações consideradas de utilidade pública como fases da lua, épocas de plantio e remédios para diversos males estavam sempre unidos a passatempos, textos literários, carta dos leitores, entre outros. As publicações eram distribuídas de forma gratuita.

Um dos almanaques mais famosos desse tipo é o Almanaque do Biotônico. Para divulgar o famoso fortificante, Monteiro Lobato, amigo do farmacêutico Candido Fontoura, criou o personagem Jeca Tatu. Esse vivia em uma casinha de sapê e sofria do mal do amarelão, sendo curado graças as propriedades medicinais do remédio que dava nome ao almanaque.

PÚBLICO

Yasmin Nadaf destaca que a mulher foi o principal público leitor dos almanaques e a elas e ao universo feminino foram dedicadas muitas das capas das publicações.

Estes folhetins acompanharam também as mudanças da sociedade. As conquistas femininas, o direito ao voto e o fato da mulher começar a trabalhar fora de casa são retratados nos livretos da década de 1930. Já nos anos de 1940, na era de ouro do cinema americano, as capas mostravam os corpos femininos delineados e, a partir de 1950, a mulher moderna é aquela que acumula funções dentro e fora de casa. "É a imagem da esposa bonita, bem-sucedida e dedicada", destaca Gabriela.

A exposição conta a história dos pequenos livretos que já incentivaram a venda de perfumes e remédios, divulgaram hábitos de higiene, colaboraram com a prevenção de doenças e com o saneamento urbano, além de servirem como passatempo e material de leitura.

CATÁLOGO

O catálogo, uma realização do Departamento Nacional do Sesc, retrata a exposição de publicações e divulga um trabalho de responsabilidade social desenvolvido desde 1930. Um dos valores da Exposição reside em seu poder culturalmente estimulante, descortinando imagens, concepções e comportamentos de um determinado período brasileiro, quando alguns aspectos tecnológicos não se faziam presentes, quando era difícil a publicação e circulação da palavra escrita, se comparada a hoje com essa incrível proliferação de impressos.